O que pode a biblioteca escolar fazer? - Parte II

2. Desenvolver as competências




Fonte: Imagem de caleidoscópio. Christian Liebel. Retrieved from: https://unsplash.com/photos/zGGfj7PpyCQ


É no contexto de um currículo


- Interminável, a desenvolver ao longo da vida e

- Articulado


que devemos falar de competências, capacidades comuns que os currículos devem promover e que visam o desenvolvimento do ser humano no seu conjunto (dimensão emocional, cognitiva, social, intercultural…) para viver num mundo sustentável. As competências traduzem, não tanto o que o currículo é, mas o que deve ser, em extensão e ligações, para que possa reunir condições de resposta aos problemas da atualidade [1].


[1] Uma das formas de planear conteúdos na perspetiva da aprendizagem por competências é a partir do desenho de círculos concêntricos que se intersetam e cujo centro corresponde à enunciação do problema.



3. Formar uma compreensão crítica do mundo e de si próprio


A especificidade do trabalho da biblioteca em prol do apoio e desenvolvimento do currículo escolar e da educação e formação das crianças e jovens deve ser marcada pela:


- Leitura: literatura (”Já não (se) salva a Literatura”, foi o desafio lançado em Correntes d’ Escritas 2020 face à atual prevalência das notícias e da tecnologia) e ciência (STEM);


- Literacia da informação e dos media.


Desta base o responsável pela biblioteca, trabalhando cooperativamente com a Direção da escola, os educadores e professores, as famílias e as entidades locais, deve proporcionar as condições e meios que permitam à criança e jovem o desenvolvimento de uma compreensão crítica dos problemas: compreensão na medida em que os apreende no conjunto das suas diferentes dimensões, sem diminuir a sua complexidade e crítica porque para o fazer deve discernir, em cada caso, o que é verdadeiro e falso, certo ou errado, bem ou mal.


Se todas as pessoas são merecedoras do nosso respeito simplesmente pela sua condição de serem pessoas, nem todas as opiniões são dignas de respeito porque nem todas são justificadas. É preciso trabalhar, humildemente, na procura ativa do erro e de boas evidências que fundamentem as nossas crenças. Só assim é possível:


- Prevenir a mentira, a ilusão, a manipulação e manter a lucidez;

- Preservar a liberdade de pensamento e de ser eu próprio;

- Ancorar a democracia em bases sólidas que inspirem a confiança dos cidadãos.


Na atualidade vivem-se experiências de democracia próximas da entropia, assiste-se à manipulação e controlo de eleições e de comportamentos feitos com base no uso cada vez mais personalizado da técnica (internet de todas as coisas) e vendem-se ilusões de sobrevivência do ser humano fora da Terra. Reiteradamente a técnica evidencia a ausência de compromisso com a verdade e a virtude e um desejo de poder e controlo do ser humano no sentido de vir a desenhar um futuro à medida da sua vontade e imaginação, nem sempre compatível com os limites do planeta e a defesa dos direitos humanos dos mais vulneráveis. Nesta base, o professor bibliotecário deve, reiteradamente, introduzir afirmações falsas no seu discurso para que sejam identificadas, bem como introduzir a pergunta “para quê?”, de modo a que as crianças e jovens desenvolvam o hábito e, posteriormente, a cultura de busca ativa da verdade e trabalhem a ética nas diversas dimensões da realidade (ex. Técnica ou economia para quê?).

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